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Mindset de Crescimento: Tirando dúvidas com Carol Dweck

Como mais e mais pessoas aprendem sobre mindset de crescimento, é normal tambem aparecer muitas confusões sobre o assunto. Então resolvi bater um papo com a professora do departamento de Stanford que descobriu o Growth Mindset, Carol Dweck, enquanto estou na universidade.

Mindset de Crescimento (Growth Mindset) é o entendimento de que as qualidades e habilidades pessoais podem mudar. Ela leva as pessoas a encarar desafios, perseverar em face de contratempos, e tornarem-se aprendizes mais eficazes. Como mais e mais pessoas ouvem falar sobre growth mindset, é normal que apareçam muitas confusões sobre o assunto.
Então resolvi bater um papo com a professora do departamento de Stanford que descobriu o Growth Mindset, Carol Dweck, enquanto estou na universidade. Em breve, estarei postando um vídeo com a entrevista completa. Mas para adiantar, eu decidi escrever este artigo que resume algumas confusões comuns e oferece algumas reflexões.

 Confusão # 1: O que é Growth Mindset?

Quando pedimos às pessoas para nos dizer o que significa growth mindset, muitas vezes recebemos diversas respostas diferentes como: trabalhar duroter grandes expectativasser resiliente ou idéias mais gerais como estar aberto ou flexível. Mas a mentalidade de crescimento não é nenhuma dessas coisas.

É a crença de que qualidades podem mudar e de que podemos desenvolver nossas habilidades e inteligência. O oposto de ter uma mentalidade de crescimento é ter uma mentalidade fixa, que é a mentalidade que suporta a crença de que habilidades e inteligências são inatas, ou seja, não podem ser desenvolvidas.

Por que a Mentalidade de Crescimento é tão importante?

O por que dessa definição de mentalidade de crescimento ser tão importante é que pesquisas têm mostrado que essa crença específica leva as pessoas a encarar desafios, trabalhar mais e de forma mais eficaz e perseverar quando enfrentam desafios, todos os fatores que tornam estudantes mais bem-sucedidos em aprender.

É difícil mudar diretamente estes comportamentos sem também trabalhar para mudar o entendimento profundo da natureza das habilidades.

Confusão # 2: Para promover uma mentalidade de crescimento, simplesmente elogie as crianças por trabalharem duro

Várias pesquisas tem mostrado que dizer às crianças que elas são inteligentes e sugerir que seu sucesso depende disso, promove a mentalidade fixa. Quando mais tarde essas crianças se deparam com problemas, eles tendem a concluir que não são capazes e como resultado, perdem a confiança.

Então aquele elogio começa a ter o efeito oposto do que pretendíamos. Por outro lado, o elogio pelo trabalho duro ou pelas estratégias utilizadas, coisas que estão sob controle das crianças, foi demonstrado ser um fator de apoio à mentalidade de crescimento.

Esta pesquisa foi desenhada para aprender mais sobre uma das formas de apoiar uma mentalidade de crescimento, não para identificar todos os fatores existentes que promovem uma mentalidade de crescimento. Quando as pessoas mais novas neste campo começam a ler sobre essa pesquisa, muitas vezes concluem que devemos simplesmente elogiar as crianças por se esforçarem.

Mas este é um nível de compreensão nascente. Perceba que: 1. Estimular os estudantes a trabalhar duro seria uma tentativa de mudar diretamente comportamentos sem alterar a crença subjacente sobre a natureza das habilidades; 2.

Muitas vezes os estudantes não aprenderam que trabalhar duro envolve pensar bastante, que envolve refletir e mudar nossas estratégias para nos tornarmos aprendizes cada vez mais eficazes ao longo do tempo, e precisamos orientá-los a chegar nessa compreensão. Por exemplo, um professor iniciante que vê um estudante se esforçando bastante, mas não tendo nenhum progresso pode pensar “Bem, pelo menos ele está trabalhando duro, então eu vou elogiar seu esforço”.

No entanto, se o estudante continua a fazer o que ela está fazendo, ou até mesmo mais da mesma coisa, é improvável que isto o leve ao sucesso. Ao invés vez disso, o professor pode treinar o estudante a experimentar diferentes abordagens de trabalho, estudo e aprendizado, de forma que o leve a pensar mais profundamente (ou seja, trabalhar mentalmente mais duro) para se tornar um aprendiz melhor e, claro, o professor deve fazer o mesmo: refletir sobre como ajustar suas instruções.

“Não é apenas esforço. Você também precisa aprender habilidades que permitem que você use seu cérebro de uma maneira mais inteligente. . . para se tornar melhor em alguma coisa.” (Yeager & Dweck, 2012.) 3. Cultivar o espírito de crescimento envolve um processo gradual de transferência de responsabilidade para os estudantes, para que se tornem aprendizes mais autosuficientes e elogiar é uma técnica de comunicação que tende a ser mais útil no início daquele processo de construção. Mais tarde, os adultos podem fazer perguntas aos estudantes que os levem a refletir, ajudando no progresso do caminho deles para a independência.

Elogio e treinamento não são as únicas, ou mais poderosas, formas de promover a mentalidade de crescimento. Por exemplo, um outro método é a modelagem de aprendizagem para vida toda e torná-la visível, o que nos leva para a próxima confusão.

Confusão # 3: Mentalidade de crescimento é sobre como alterar os jovens, não os adultos

                                        – Algumas críticas recentes acusam o trabalho da mentalidade de crescimento como dedicada exclusivamente aos estudantes e não os adultos. Este é um mal-entendido sobre do que se tratam os esforços da mentalidade de crescimento.

No trabalho de Carol com educadores, ela encoraja os adultos a começar por eles mesmos. “Se não trabalharmos para mudar a nossa mentalidade sobre nós mesmos e sobre nossos estudantes,  não vamos conseguir trabalhar para mudar muitas outras coisas no sistema necessárias para melhorar a educação.

Além disso, nossos esforços para promover o espírito de crescimento em estudantes provavelmente irão falhar, porque vamos dizer e fazer coisas que refletem nossas crenças de mentalidade fixa, e os estudantes irão notar, com certeza. Temos de explorar profundamente o espírito dentro de nós mesmos e, em seguida, trabalhar gradualmente para desenvolver nossa própria mentalidade de crescimento e nossos hábitos como aprendizes.

Isto significa de fato trabalhar duro para nos tornar melhores no que fazemos ao longo de nossas vidas, incluindo a forma como ensinamos e como criamos contextos que ajudam os estudantes a se desenvolverem, e fazer o nosso processo de aprendizagem visível para outros e para os estudantes. Encorajamos as escolas que servimos para treinar professores no início de seus esforços mentalidade de crescimento, envolvendo reflexões e discussões sobre crenças adultas e práticas de melhoria contínua.

Nós fornecemos recursos de aprendizagem profissional para ajudá-los a fazê-lo.” Dra. Dweck e outros pesquisadores deste campo falam sobre a importância de promover uma mentalidade de crescimento em adultos e ter pesquisado a mentalidade dos educadores, gestores e líderes. Pesquisar sobre mentalidade de crescimento é aprender sobre todos nós, sobre como seres humanos podem se tornar aprendizes mais motivados e eficazes e não sobre como podemos modificar estudantes, mas a nós mesmos.

Confusão # 4: Tudo o que importa é o que está na mente

Outra confusão sobre mindset é que o único determinante do sucesso é a nossa mentalidade. Mas este não é o caso. Contexto, cultura, meio ambiente e sistemas importam. Por um lado, a mentalidade das pessoas (bem como outras crenças e comportamentos) é fortemente moldada pelas pessoas ao seu redor.

Além disso, o destino das pessoas não é apenas uma função do que está dentro de si, mas também do que está ao seu redor. Muitos dos primeiros estudos em mindset focavam na mente do indivíduo, porque eles estavam buscando compreender como os seres humanos funcionam.

Mas os pesquisadores de mindset reconhecem, pesquisam e falam sobre a importância da mudanca de cultura, contexto e sistemas. Os problemas enfrentados por crianças com a mesma mentalidade em casas com situações econômicas diferentes, requerem esforços diferentes. –

Confusão # 5: Melhorias estão relacionadas com mudança de crenças, nada mais

Relacionado a isso, uma outra confusão que vimos também refletiu em comentários recentes: Que o trabalho da mentalidade de crescimento é apenas sobre a promoção da crença de que podemos melhorar, mas não sobre a mudança do sistema educacional ou realmente sobre fazer alguma coisa sobre essa crença.

Carol Dweck falou extensivamente sobre a mudança de tarefas de aprendizagem, testar práticas e sistemas de classificação. Muitas tarefas e abordagens de ensino são superficiais, irrelevantes, desinteressantes e não centradas no estudante. Precisamos mudar essas tarefas, o currículo e a pedagogia. 

Precisamos mudar a idéia de que a escola é feita para provas ao invés de aprendizagem
. Precisamos também abordar melhor questões mais amplas, como trauma de infância e falta de exposição à leitura precoce. As pessoas que mergulham mais fundo na mentalidade de crescimento aprendem o quão importante estas questões são e como podemos começar a resolvê-las, e uma mentalidade de crescimento os ajuda a assumir os desafios. Como David Yeager e Gregory Walton destacam:
Intervenções [de Mindset] complementam – e não substituem – reformas na educação tradicional. Elas não ensinam os estudantes conteúdo ou habilidades acadêmicas, reestruturam escolas ou melhorar a formação de professores. Ao invés vez disso, permitem que os alunos tirem melhor proveito das oportunidades de aprendizagem que estão presentes nas escolas e toque em processos recursivos existentes para gerar efeitos duradouros. . . Na verdade, intervenções [de mindset] podem tornar os efeitos das reformas educacionais de alta qualidade como a melhoria da instrução ou currículos mais aparente (Yeager & Walton, 2011).

Aprofundando nossa compreensão com o tempo

Como com qualquer outra coisa, quanto mais profundo nós entramos em mentalidade, mais profunda a nossa compreensão se torna. Ao longo do tempo, questões mais sutis surgem, como sobre a relação entre a mentalidade e desempenho, os resultados, o fracasso, o potencial, avaliações, erros, e muitas outras coisas.

Por exemplo, no início um professor que está aprendendo sobre mindset pode começar simplificando erros como sendo sempre “bons”, mas isso pode confundir os estudantes, pois erros nem sempre são algo que devemos procurar fazer. Com o tempo, começamos a distinguir erros por exagero de erros por descuido, erros dos momentos “a-há” e erros por altas apostas

Mentalidade de Crescimento permite a mudança

Pesquisas têm mostrado que o desenvolvimento de uma mentalidade de crescimento é benéfica em diversos de contextos, desde para a educação até para o ambiente de trabalho, para relações interpessoais, esportes e saúde.

Ele leva as pessoas a enfrentar os desafios e aprender com eles, encontrar formas mais eficazes para melhorar, para perseverar em frente a contratempos e para fazer maior progresso, tudo aquilo que precisamos cultivar mais em educação.

Além disso, há evidências de que os seus benefícios são mais poeminentes em pessoas que enfrentam estereótipos negativos, como as minorias carentes e mulheres em Exatas (ou utilizando o acrônimo em inglês, STEM), e como resultado os esforços da mentalidade de crescimento podem diminuir essa lacuna de realização. –

Vamos aprender juntos

Mentalidade de crescimento é um conceito aparentemente simples, mas existem várias nuances em relação a estrutura e suas aplicações. Espero que este artigo ajude a esclarecer equívocos comuns. Eu convido você a enviar este artigo para amigos educadores, pais ou entusiastas para fomentarmos uma discussão para esclarecimento sobre o assunto. Vamos aprender juntos, deixe seu comentário aqui, tire suas dúvidas.

É preciso uma aldeia, ou mais precisamente, todos nós, para promover uma melhor aprendizagem e transformar nossa educação. – OBS: Você deve ter percebido que tentei evitar o uso da palavra “aluno” aqui. Isso por que contradiz o que propomos com a mentalidade de crescimento, pois “aluno” tem origem do latim sendo “a” = sem luz e “lumni” = sem luz, ou seja, o “aluno” é um ser sem luz, sem conhecimento e que é iluminado pelo professor. Isto não faz mais sentido. 

Texto de Gil Sant’Anna, professor de Habilidades Socioemocionais no ambiente universitário e pesquisador assistente em Neurociência no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. É TED Speaker, instrutor de Mindfulness e Certificado em Treinamento em Compaixão por Stanford University.

Publicado originalmente no blog http://ambamind.com.br/blog onde você pode conhecer seu trabalho além do seu instagram @meubemestar.   Para receber nossos artigos, nossa revista e a agenda do Mindset Exponencial, se inscreva em nosso newsletter. Se puder, compartilhe nosso Blog e nosso newsletter (neste link: http://bit.ly/2vex53W) e nos ajude a alcançar mais gente! Se você quiser entrar no nosso grupo de discussões no Telegram, é só acessar este link.

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